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SARAU 27 de Outubro de 2012

No cumprimento de uma sua – embora recente – tradição, a “Associação África Solidariedade” organizou este ano, mais uma vez, uma “matinée” recreativa e intercultural, no sentido de se dar mais a conhecer e de tornar mais visível a sua actividade.
Aconteceu este sarau no dia 27 de Outubro último, na “Fundação Engenheiro António de Almeida”, no Porto, entidade que sempre tem meritoriamente apoiado a A.A.S. e que mais uma vez deu o seu patrocínio à iniciativa.
A primeira nota positiva corresponde ao integral cumprimento não só do programa estabelecido, mas também, rigorosamente e em boa ordem, ao do horário determinado.
De facto, quem se dirigisse à Fundação às 14.00 horas, tinha as portas do edifício já abertas, dando acesso àquele grande, mas tão agradável, espaço de recepção e acolhimento.
Foi o simpático, e sempre apetecido, momento dos primeiros contactos com os amigos que iam chegando, um tempo prévio de confraternização e descontracção, acrescido da possibilidade de apreciar e adquirir peças de artesanato africano ou alguns pequenos frascos de compotas artesanais, por vezes de ingredientes inesperados e surpreendentes, mas que à partida despertavam a vontade de experimentar.
O auditório da Fundação, onde decorreria o sarau, ficou quase repleto à medida que as pessoas iam chegando e escolhendo o seu lugar. Viam-se muitíssimos africanos, entre os quais muitas crianças, algumas de tenra idade. Com o entusiasmo e a alacridade que lhes são próprios, não deixaram de manifestar a sua satisfação após cada intervenção.
O sarau começou com as habituais palavras de boas vindas e de agradecimento, na breve mas tão simpática introdução da nossa Presidente, Dra. Manuela Lopes-Cardoso.
Seguiu-se-lhe, de imediato, uma apresentação – necessariamente breve – da nossa Associação, presente em todos os países africanos de expressão portuguesa, com enfoque em algumas das nossas últimas iniciativas e realizações em Moçambique.
Deste momento se encarregou a Dra. Isabel Veiga de Miranda, membro da Direcção da A.A.S., que acompanhou as suas palavras com a passagem de algumas imagens do nosso recente projecto de “Recuperação do Hospital Rural do Songo”, em Cahora-Bassa.
Foi notória a surpresa dos assistentes por esta realização, não só no que diz respeito à iniciativa em si, mas também pelas condições, tantas vezes penosas e difíceis, em que tudo foi sendo conseguido e efectuado.
O agrado e a surpresa da sentida exposição da Dra. Isabel foram coroadas por uma quente salva de palmas.
A exposição desta iniciativa foi completada com a intervenção da Dra. Elisa Estrela Gundana, médica moçambicana, directora clínica deste hospital. Comovidamente, relatou-nos um pouco do seu trabalho, com as imensas e quase intransponíveis dificuldades que encontra para cumprir a sua missão. Mas a verdade é que isso não a impede de andar sempre para a frente, com o seu saber, o seu entusiasmo e a sua força de vontade.
A Dra. Elisa Estrela viu – e ouviu – outra grande salva de palmas, que, com certeza, lhe darão um pouco mais de ânimo para prosseguir na sua senda.
Passou-se de seguida à parte recreativa do sarau.
O Senhor Cônsul de Cabo Verde no Porto sugeriu-nos a participação de Jorge Correia, daquele País, que se revelou um excelente intérprete de mornas e outras toadas da sua terra, sentidamente interpretadas e sentidamente escutadas.
Entremeando a actuação deste artista, intervieram outros intérpretes – de Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique e São Tomé e Príncipe – com a declamação de significativos textos poéticos ou em prosa, igualmente muito apreciados.
A sessão recreativa culminou com a alegre e simpática intervenção da “Tuna Feminina da Universidade Católica do Porto”, que também se prontificou a participar na nossa festa.
Mas o convívio não ficou por aqui, porque as 5 da tarde são a hora do chá – ou do lanche – que, evidentemente, não faltou. Em mesas compridas bem apetrechadas, estavam inúmeras iguarias à espera de quem as quisesse comer ou beber.
E é evidente que assim foi. Que o diga qualquer um, especialmente a miudagem, que não tinha mãos que chegassem para pegar nos bolinhos de bacalhau, nos rissóis, nos croquetes, etc., ou nos mais diversos bolos e doces… não esquecendo as gomas, que estão na moda e são as mais apetecidas por eles.
Só não vi ninguém da grande (?) imprensa, e muito menos da televisão. O hospital do Songo ou a África Solidariedade não são notícia que venda. Não há barulho, não há tiros, não há sangue à vista – não interessa!
No meio disto tudo, valha-nos Nossa Senhora das Graças, que é hoje, 27 de Novembro, o Seu dia.

Carlos Carvalho Dias