O que disseram os bolseiros…
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Chamo-me Itum Darandin Monteiro da Costa, nasci há vinte e oito anos na República da Guiné-Bissau.

Cheguei a Portugal em 2008 para concluir o 12o e ingressar seguidamente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto para o curso de economia.
Precisamente em Outubro de 2011, por falta de aproveitamento académico perdi o direito a bolsa de estudos que suportava toda a minha estadia em Portugal, nomeadamente, alimentação, alojamento, saúde, propinas e materiais didáticos e outros.
A partir dessa data confrontei-me com dificuldades de vária ordem, pois começaria o maior desafio que alguma vez sonhei enfrentar. Tive em termos teóricos, duas alternativas, a primeira, ficar em Portugal, a segunda, regressar para a Guiné-Bissau sem o cumprimento do objetivo que me trouxera em 2008 para cá, que era o de ter uma formação académica superior.
A segunda alternativa só existiu em teoria, pois por tudo o que me motivava e, por toda a herança que a minha família sempre me transmitiu, o caminho único, seria permanecer em Portugal e nunca equacionar desistir dos estudos custasse o que custasse em termos financeiros e em termos emocionais.
Permanecer em Portugal e, consequentemente continuar a estudar, só foi possível com o apoio da minha família, que no entanto, não conseguiria suportar na totalidade os encargos que a permanência em Portugal exigia.
Abriu-se assim uma campanha de pedidos de ajuda à várias entidades, públicas, não governamentais e à amigos e colegas que a vida na universidade me pôde oferecer. Importa aqui mencionar a Associação África Solidariedade na pessoa da Dra. Maria Manuela Lopes Cardoso, todos os seus membros de pleno direito e mecenas;
A Pastoral Universitária do Porto na figura do Padre Bacelar e todos os seus colaboradores e voluntários;
os Serviços de Ação Social da Universidade do Porto, nas figuras do Dr. João de Carvalho, da Dra. Cristina Sampaio, da Dra. Isabel Basto e todos os funcionários que sempre me trataram pelo nome;
e, por último, jamais esquecer, os meus amigos da faculdade que sempre me acolheram e me prestaram das mais imensuráveis ajudas, mas a estes, reservo-lhes um lugar mais amplo, onde poderei homenageá-los e agradecer a cada um tamanha transmissão de humanismo.
Foi assim que durante seis anos letivos consecutivos, pude usufruir de uma bolsa de estudos da Associação África Solidariedade para o pagamento das propinas, apoio esse que por muitas vezes teve de ser canalizado para satisfazer necessidades mais básicas e inadiáveis deixando assim o pagamento das propinas para segundo plano, pois sempre segui a lógica de, melhor ter tecto e comida do que ter escola paga mas não ter corpo nem mente para aprender.
Apesar de 10 anos de muito sacrifício, por parte de todas estas pessoas (no fundo só foram pessoas), para apoiar a minha causa, e de todos os trabalhos que tive de fazer para tapar os buracos que mais ninguém conseguiria tapar naquele instante de tempo. Apesar de tudo que possa ter sido doloroso, considero-me um sortudo deste mundo, por nunca me terem faltado pessoas de bem, pão, tecto, e, felizmente nunca ter ficado sem a almofada que alimenta todos os meus sonhos.
Porto 14 de abril de 2018
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Eu, António de Carvalho Escrivanes, tenho como grande honra através deste texto expressar o quanto sou grato a Associação África Solidariedade.

Entrei para a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto em 2013 desafiando a mim e as minhas condições financeiras. Na altura em que entrei para a faculdade poucos acreditavam que pudesse fazer um curso de 5 anos sem apoio e com horário das 9 as 18 todos os dias da semana. Confiante dizia que não só faria o curso como também terminaria no tempo devido correspondente aos 5 anos, licenciatura e mestrado. Comigo tinha a fé de que o Deus que desde menino tem sido meu amparo, nesta etapa também me ajudaria. Sim, dessa forma graças a esse Deus tive conhecimento dessa amável associação que de muito tem feito em benefício dos estudantes PALOP. Tal como muitos outros que puderam auferir desta uma bolsa de apoio aos estudos, no mesmo ano que entrei para a faculdade, vi-me ser beneficiado pela mesma que me aceitou como aluno bolseiro. Embora seja grato de modo em geral a todos os membros da associação, pelos esforços, a dinâmica e seus empenhos, participando no enquadramento de nós jovens cheios de vontade de contribuir significativamente para o nosso país apoiando nossos familiares fazendo uma formação superior, tenho de dizer, especialmente a Presidente da associação Maria Manuela Lopes Cardoso e o Marido Dr. Augusto, um grande obrigado pelo tempo que disponibilizaram para escutar, para ensinar e motivar-me nessa jornada, pois, puderam dar-me de si instrumentos preciosos que muitas vezes nem no seio familiar se consegue obter. É de louvar e de reconhecer o trabalho que estes, membros, têm feito, a alegria causada e o fardo aliviado a muitos. Destes atos em mim reforçou-se a ideologia de que na natureza nada vive para si própria pois devemos ser sempre para os outros, e assim, espero eu, não diria futuramente porque o futuro é "hoje", porém, poder a cada oportunidade dar um pouco de mim aos outros seja um sorriso, um pouco do meu tempo ou ensinamento, etc., provavelmente poderá servir de motivação e alegria a muitos. Pois o pouco pode ser muito e muito poderá ser pouco, tudo dependerá do que é dado e a forma como é dada ou transmitida. Agora que encontro-me na reta final para a conclusão da minha graduação gostaria expressar e partilhar convosco essa alegria que sinto, porém, com grande apreço agradeço a todos sem exceção, dos membros aos que através de donativos fizeram com esta fase da minha vida se pudesse concretizar.
Obrigado a todos
O que disse uma voluntária…
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Queridos @migos! Estou de volta!
Queria dizer-vos que passei um dos melhores momentos da minha vida em Moçambique.

Foi a realização dum sonho há muito esperado que se concretizou da melhor forma. Vivi uma experiência única que jamais se apagará da minha memória. Em Moçambique, nomeadamente em Etatara, encontrei um povo bom que estava de braços abertos para nos acolher. A sinceridade dos seus actos para connosco dificilmente nos deixava de emocionar. Passei momentos inesquecíveis. Por exemplo como muitas crianças em Etatara nunca tinham visto um “branco” lembro-me de chegar e de olharem para nós como se fossemos autênticos extra-terrestres. No início tinham medo de nós, de se aproximar e comunicar. Mas logo tiveram vontade de partilhar connosco o pouco que tinham. Recordo-me das canas-de-açúcar que nos iam entregar em casa, não esquecendo que uma cana para eles significava muitíssimo (os rebuçados e os doces que não têm). Porém, ao invés de ficarem com ela preferiam oferecê-la como sinal de estarem felizes com a nossa presença. A população vive numa pobreza extrema. A única actividade económica é a agricultura. As pessoas comem apenas uma vez por dia. As crianças apresentam sinais claros de subnutrição. Não sabem o que é uma cama, dormem no chão; todas vivem em palhotas; talheres nunca viram; a maior parte não tem calçado e vi crianças com a mesma roupa vestida desde o primeiro dia que lá cheguei até ao dia da minha partida. Não há água canalizada nem luz. Mas posso dizer que o maior problema de todos é a água. A população tem de ir buscar água ao rio Lúrio, que fica relativamente afastado. Na mesma água do rio lavam a roupa e tomam banho, para além de a utilizarem para consumo. Independentemente de tudo isto, posso dizer-vos que nunca ouvi ninguém se queixar de que está farto de viver, ao contrário, é um povo que encontra mil e um motivos para celebrar a vida. Algo que achei extraordinário foi o facto de nas noites de lua cheia a população se reunir a dançar a noite inteira, isto porque como é lua cheia, a aldeia está muito mais iluminada do que é costume (o sol põe-se habitualmente às 17 horas e a escuridão é extrema). As missas contagiam qualquer pessoa. Três horas passam tão rapidamente que quando chega ao fim a celebração temos vontade de pedir para ali ficarmos e com eles continuar a louvar a Deus de forma tão singular. Deus revela-se em cada sorriso e em cada olhar. A expressão das crianças é tão divina que muitas vezes dei comigo a pensar como é que alguém ainda pode duvidar da existência de Deus. Ele torna-se tão visível que posso dizer que houve momentos em Moçambique que senti Deus tão perto de mim como nunca. Visível no outro que pouco tem, mas que afinal, acaba por ter tudo: vontade de viver alcançando a verdadeira felicidade. 24/09/04

Songo, 20 de Setembro de 2011 Padre Alberto Fonte, Pároco da Paróquia de São José Operário do Songo

O Hospital Rural do Songo, é a casa que cuida da nossa saúde, as doenças endémicas como a malária, tuberculose, diarreia, HIV- SIDA, são as principais causas de internamento neste hospital. Vivo esta realidade diariamente, não como doente, mas como assistente dos meus paroquianos, que ali como doentes procuram carinho, conforto e cura para os males que os atormentam. Um dos principais constrangimentos que se vivem no hospital estão relacionados com as várias lacunas que a instituição tem vivido, nomeadamente ao défice de medicamentos, de recursos humanos, degradação de alguns equipamentos, infra-estruturas entre outros. Fico feliz por se estar a enveredar esforços na construção de um serviço de pediatria. Este serviço faz muita falta. Nas condições em que as crianças têm sido internadas { misturadas com adultos, misturadas com muitas patologias, numa enfermaria em degradação), não são as apropriadas! De referir que fui pessoalmente ao local onde se está a colocar a enfermaria e gostei de ver a obra. Em meu nome pessoal e do povo do Songo o nosso muito obrigado. “

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